Influenciadora Bia Miranda justifica notas cenográficas apreendidas pela polícia: 'Ia fazer fotos tipo umas gringas'
28/03/2026
(Foto: Reprodução) Influenciadora Bia Miranda fala sobre apreensão de dinheiro cenográfico em sua casa
A influenciadora Bia Miranda explicou em uma série de vídeos e textos em suas redes sociais as notas cenográficas apreendidas pela Polícia Civil em sua casa nesta sexta-feira (27). Bia afirmou que iria usar o material para fazer fotos imitando poses que tem sido feitas por estrangeiras em imagens.
Policiais da Delegacia de Combate ao Crime Organizado, à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) apreenderam cerca de 40 mil dólares em cédulas cenográficas na casa da influenciadora durante a segunda fase da Operação Desfortuna, realizada nesta sexta-feira (27).
Segundo a polícia, a ação teve como alvo a influenciadora, investigada por usar as redes sociais para promover jogos de azar ilegais. Os agentes foram até o imóvel para cumprir um mandado de busca e apreensão.
Bia afirmou que comprou as notas apreendidas em um site varejista global de moda. "Os policiais simplesmente pegaram umas notas que estavam na sacola da Shein, que veio da Shein porque eu pedi. Eu ia fazer umas fotos, tipo aquelas gringas: umas meninas caídas no carro, com notas em volta, com a bolsa do carro jogadas", disse ela.
Polícia apreende US$ 40 mil em notas cenográficas na casa da influenciadora Bia Miranda
"Resumindo: meninas, cuidado com o 'dinheiro' que vocês compram na Shein. Nao comprem esse dinheiro, comprei dois bolinhos de dinheiro na Shein, deu 40 mil, e agora tô [enquadrada] como falsificação de dinheiro", acrescentou.
Segundo a polícia, a influenciadora afirmou que usava as cédulas cenográficas em publicações nas redes sociais para atrair possíveis apostadores para plataformas on-line.
Bia negou a acusação. "Falaram que eu ia usar esse dinheiro para enganar meus seguidores. Me mostra um conteúdo em que eu apareço com dólar ? Eu ia fazer, mas todo mundo ia saber que era falso".
Bia Miranda já havia sido alvo da primeira fase da operação, em agosto do ano passado, mas não foi localizada na ocasião.
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Polícia acha dinheiro cenográfico na casa da influenciadora Bia Miranda
Reprodução
De acordo com as investigações, a delegacia foi informada pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda de que a influenciadora continuava promovendo sites ilegais, o que levou ao pedido de novas medidas cautelares e à deflagração da segunda fase da operação.
Além do dinheiro cenográfico, os policiais apreenderam joias, um veículo e dispositivos eletrônicos, que serão analisados para auxiliar no inquérito. A Justiça também foi acionada para o bloqueio das contas da investigada.
A Polícia Civil informou que a operação faz parte de um conjunto de ações contra jogos de azar ilegais, que, segundo as autoridades, financiam organizações criminosas e causam prejuízos a vítimas. As investigações continuam para identificar e responsabilizar todos os envolvidos.
O que diz a defesa de Bia
Além dos vídeos com justificativas, Bia Miranda publicou notas de sua defesa com o texto:
"Os advogados Mayara Rodriguez, Graziella Salti, Marco Antonio Pereira Marques e Felipe Passos, constituídos pela influenciadora digital Bia Miranda, vêm, por meio da presente nota, esclarecer os fatos recentemente divulgados acerca do cumprimento de mandado de busca e apreensão no âmbito de investigação que apura a atuação de influenciadores digitais em campanhas publicitárias relacionadas a plataformas online.
Inicialmente, é imprescindível esclarecer que a medida de busca e apreensão constitui procedimento investigativo previsto na legislação brasileira, não significando reconhecimento de culpa, tampouco podendo ser interpretada como conclusão acerca da existência de qualquer prática ilícita.
A influenciadora Bia Miranda jamais foi condenada por qualquer crime, possuindo histórico profissional construído de forma legítima no ambiente digital, motivo pelo qual causa estranheza a divulgação de informações parciais e descontextualizadas que induzem a opinião pública a conclusões precipitadas.
A defesa esclarece que a utilização de itens cenográficos e materiais de produção audiovisual é prática absolutamente comum no meio publicitário digital, sendo amplamente empregada em campanhas de marketing, vídeos promocionais e conteúdos destinados à divulgação de marcas e produtos, não configurando, por si só, qualquer irregularidade ou conduta criminosa.
Esses materiais não possuem valor real e não são utilizados para circulação, sendo facilmente identificáveis como objetos de cena. Inclusive, algumas dessas cédulas apresentam imagens completamente incompatíveis com moedas oficiais, como figuras ilustrativas ou até mesmo a representação de um casal, o que demonstra claramente que não se trata de dólares verdadeiros, nem de imitações aptas a enganar.
Ressalta-se, ainda, que tais itens jamais foram utilizados para atrair jogadores ou qualquer tipo de público com finalidade indevida, sendo importante destacar que esse tipo de conteúdo nunca foi publicado pela influenciadora.
Ressalta-se, ainda, que a investigação tramita sob sigilo, razão pela qual a defesa não poderá, neste momento, expor detalhes adicionais, em estrita observância ao devido processo legal e às determinações legais vigentes.
A influenciadora está colaborando integralmente com as autoridades competentes, tendo franqueado acesso aos elementos solicitados, demonstrando absoluto respeito às instituições e confiança na apuração técnica e imparcial dos fatos.
Reitera-se que medidas investigativas não podem ser confundidas com juízo de culpa, sendo imprescindível a observância do princípio constitucional da presunção de inocência, evitando-se interpretações precipitadas ou conclusões antecipadas que possam gerar danos irreparáveis à imagem e reputação da investigada.
A defesa confia que, ao final da apuração, será demonstrada de forma clara a licitude das condutas praticadas, restabelecendo-se a verdade dos fatos.
A defesa segue acompanhando o caso e tomará as medidas cabíveis diante da divulgação de informações incorretas".
Dinheiro cenográfico é encontrado durante operação
Reprodução