Menino de 7 anos lança livro sobre cotidiano lidando com autismo e TDAH no Rio
11/04/2026
(Foto: Reprodução) Noah, de 7 anos, e a mãe, Renata, lançam o livro 'Uma Mente Borbulhante'
Divulgação/Leandro Bighetti
Um menino de 7 anos escreveu, com o apoio da mãe, um livro sobre o próprio cotidiano lidando com diagnósticos de autismo e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A obra é de Noah Faria, filho de Renata Formoso, e será lançada neste sábado (11) na Livraria Janela, na Zona Sul do Rio.
Com delicadeza e sensibilidade, a obra "Uma Mente Borbulhante", lançamento da HarperKids, acompanha o dia a dia de Noah — em casa, na escola e em suas descobertas pelo mundo — revelando a experiência de uma criança que aprende, aos poucos, a compreender seus pensamentos acelerados e a encontrar novas maneiras de se expressar e se entender.
“A vida com a mente borbulhante às vezes é difícil e às vezes é divertida. Meu cérebro pensa tão rápido que muitas vezes não consigo acompanhar. Tenho dificuldades em coisas simples, como molhar o rosto, praticar esportes ou comer coisas diferentes, mas tenho facilidade em outras coisas, como matemática, música e ciências”, disse Noah ao g1.
Ele foi diagnosticado com autismo aos 5 anos e, 1 ano depois, com TDAH. As condições já levaram outras crianças a terem comportamentos hostis contra ele.
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“Alguns coleguinhas me chamavam de estranho e me excluíam de brincadeiras. Eu ficava triste na hora, mas ia brincar com minha melhor amiga, e ficava tudo bem”, conta o menino.
“Noah tem poucos e bons amigos, que o acolhem e compreendem, por saberem de suas limitações. A melhor amiga citada no livro se chama Rita. É uma menina meio francesa e meio búlgara, muito engraçada e sensível. Eles tocam músicas, criam histórias em quadrinhos juntos e são melhores amigos desde os 3 anos de idade”, conta a mãe.
No dia em que receberam o diagnóstico, enquanto conversavam sobre o assunto a caminho do parque, os dois começaram a criar rimas. Mais tarde, perceberam que aquelas rimas poderiam se transformar em um livro infantil cheio de afeto, feito para ajudar outras crianças a aprender um pouco mais sobre neurodiversidade.
Para ela, muitas vezes a rotina pode ser pesada.
“Minha rotina como uma mãe atípica é, muitas vezes, silenciosamente exaustiva. A dificuldade vem em pequenos detalhes: na seletividade alimentar e dificuldade com texturas e alimentos, para lavar e pentear o cabelo, para dormir e outras questões sociais. Às vezes, quando ele tem crises, e estou sozinha, sinto os olhares julgadores de pessoas na rua, o que torna tudo mais difícil.”
Menino de 7 anos lança livro sobre cotidiano lidando com autismo e TDAH no Rio
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Renata diz que muitas vezes só quer sentar e chorar por pura exaustão, mas ao mesmo tempo, as pequenas vitórias são gigantes e especialmente gratificantes:
"Quando Noah experimenta uma comida diferente, quando ele leva menos tempo para dormir, quando ele se veste sozinho ou é empático sem que eu precise lembrá-lo de pensar que o amiguinho quer brincar também. Coisas simples para muita gente, que para nós têm um valor imenso de vitória”, acrescenta.
Contada a partir da própria voz do autor, a história aproxima o leitor da vivência de uma mente neurodivergente e estimula o respeito, a escuta e o acolhimento das diferenças. Com linguagem leve e divertida, a obra convida o público infantil a conhecer a neurodiversidade com empatia.
“O diagnóstico fez a qualidade de vida do Noah melhorar muito. Eu sinto como se fosse uma lanterna em um quarto escuro, que nos ajudou a ver o caminho com mais clareza. A família, a escola e os amigos passaram a ser mais compreensíveis, mais neurocompatíveis, e isso fez com que ele se sentisse mais à vontade para ser como ele é”, explica.
Renata conta ainda que a equipe por trás do livro também é neurodivergente.
“A ilustradora é uma desenhista talentosíssima que tem autismo nível 2 de suporte; a diagramadora também é autista; o revisor de texto tem TDAH, e assim o livro cumpre o início do nosso sonho de que o mundo seja um lugar mais inclusivo para todos.”
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